Posts in Category: ESCRITOS

matéria blog

10 – NADA SE PARECE COMO ANTES

As luzes dos projetores apagaram-se e o céu clareou estampando as faces admiradas. Podiam enxergar todo o tipo de luminosidade existente na obscuridade que sempre os acompanhou. As constelações refletiam nos seres ainda abismados com as novas informações. Numa reação natural, João agarra-se a mão de Cristina apertando-a, querendo sentir a vibração que lhe tiraria a impressão de imaginário. Era real, o aperto foi retribuído. O planeta voltara a ser apenas um receptor de luzes, admirando uma infinidade de corpos brilhantes. Aos poucos as pessoas vão saindo do transe celeste e adentrando-se a uma espécie de êxtase individual que era comum a todos.

9 – NADA SE PARECE COMO ANTES

Um relógio foi pouco para tanta confusão dentro de onze cabeças. Logo foram as últimas economias, os últimos pertences, os últimos utensílios saqueados. Em meio a isso tudo se juntaram a eles os irmãos Santos, Cardozo, os Castros e mais uma série de pessoas que iam se esbarrando em meio a Avenida. O banquete estava armado, beberam e comeram como se fosse a última coisa que fariam nesse mundo. A alegria imperava, a desgraça era motivo de risada, os problemas haviam-se apagados junto com a energia. Quando a avenida estava prestes a entrar numa penumbra total, acendendo as luzes do céu, não foram elas exatamente que se acenderam. Por um instante imaginavam que era o sistema que lhes viera assombrar com sua luminosidade, mas logo perceberam que era outra coisa que estava por vir.

8 – NADA SE PARECE COMO ANTES

O alaranjado do entardecer reflete nas onze pessoas que percorrem uma Avenida Paulista irreconhecível. O que antes era uma passagem de executivos bem vestidos, que mantinham a sua pose de bem-sucedido, dá lugar a uma porção de pessoas desfiguradas, que mal se mantém de pé pelo tanto de entorpecente ingerido diante da nova ordem. As pessoas que vagavam com um destino certo, agora não sabem mais pra qual finalidade devem caminhar, não entendem como proceder nestas inusitadas situações. Muitas preferiram divagar sobre o acontecimento dentro do bar, gastando as últimas economias que possuíam na intenção de transformar um pesadelo em sonho lúcido. As estações de metro estão fechadas, os pontos de ônibus estão vazios, suas ruas estão num congestionamento sem previsão de fluidez. A antiga Avenida de passagem já não leva ninguém a lugar nenhum.

BARULHO.ORG JUNINO NO CECAP

NESTE SÁBADO DESDE 16HS, HÁ 20 MIN DO CENTRO DE SP, O BARULHO.ORG JUNTO COM O PESSOAL DO CECAP, FAZENDO A SEGUNDA EDIÇÃO DA FESTA JUNINA DU BARULHO LEVANDO SOM AO VIVO (MAURICIO TAKARA 3, EXTRA STOUT(SKA), ELECTROJAZZ, AT TENSION SOUND SYSTEM, INTERFERENCIA E + ), VJS (MIDIADUB, NINGUEM, CAIO F E +), ARTE, GRAFITE AO LADO DA PISTA DE SKATE DO CECAP – PRAÇA DOS MAMONAS ASSASSINAS (AV. odair santanelli s/n). COMPAREÇA, É GRATZ, É DIVERSÃO E INTERAÇÃO!!!
VEJA O FLYER E O MAPA LOGO ABAIXO:

COMPAREÇA!


Exibir mapa ampliado

7 – NADA SE PARECE COMO ANTES

Os cinco sobem o morro atravessando a avenida do saqueio. O que antes se chamava de confusão, agora era visto como uma nova ordem. As lojas já não tentavam barrar os desesperados, estes já nem eram mais vistos como tais. Eram os cidadãos de uma nova cidade num dia extraordinário. Se alguém quisesse alguma coisa, era só atravessar a rua e pegar. Até os antigos gerentes tornaram-se cidadãos, não existiam mais donos ou superiores, todos estavam no mesmo patamar do caos. A cidade caótica não era mais assimilada, o Sol rachava pelas ruas num grande saldão de feriado.

barulho.org no centro e fora da virada FILME

6 – NADA SE PARECE COMO ANTES

O sol a pino castiga a travessia pela ponte. João, sentindo-se ligeiramente tonto, encosta-se ao guarde-reio pra descansar. O cheiro de merda que emana do rio, vaga por entre seus pensamentos. “Deve estar no horário de almoço. Que absurdo! Melhor, deve estar no MEU horário de almoço. O horário do acordo social que eu nunca assinei não existe mais, posso ir e vir a hora que bem entender, me alimentar quando me der na gana, ingerir o liquido que desejar. Posso me embebedar das minhas escolhas, sem ter um horário que foi estipulado por ninguém. Eu estipulo meus horários, volto a ser meu próprio chefe…”

5 – NADA SE PARECE COMO ANTES

Desprovidos de qualquer proteção artificial, continuam descendo a ladeira em direção a ponte, caminhando pela cidade incompreensivelmente fragilizada. No começo do vale percebem um alvoroço numa das ruas adjacentes. Se fosse qualquer outro dia, teriam desviado o seu trajeto pra evitar quaisquer complicações e poder chegar a tempo de fazer qualquer outra coisa que teriam que fazer. Mas como não era um dia qualquer, resolveram seguir adiante.

4 – NADA SE PARECE COMO ANTES

Os dois saem caminhando pela avenida trocando informações do que ocorrera nesse estranho dia. Zé explica que os telefones ficaram mudos, sem ao menos ouvir o agudo ambivalente. Os celulares perderam seus sinais, não havia nem sinal de comunicação com o que não estava presente a sua frente. Enquanto descem a ladeira do Estádio reparam que o diálogo outrora expressado pelos motores e buzinas dos automóveis, dá espaço a vozes buscando uma compreensão dos fatos. Mas tudo o que encontram são apenas suposições. Olham para o gigantesco hospital supondo o caos que estaria ocorrendo em seu interior. Quantas pessoas não estariam morrendo por falta de energia nos aparelhos que as mantém respirando? Quantas obturações mal sucedidas não ocorreram quando as luzes se apagaram? Numa vaga suposição, acreditaram que os geradores do hospital foram acionados a tempo. Sentiram-se menos abalados, porém, a angústia cresceu dentro deles. Por quanto tempo o combustível do gerador agüentaria? Imaginaram o desespero de um motorista de ambulância para obter mais diesel com o intuito dos geradores continuarem respirando dentro do hospital; e a falta de comunicação que ocorrerá quando o desespero de um se encontrar com o desesperado frentista sem ter o que fazer. Será que conseguiriam re-estabelecer a energia a tempo para que vidas voltassem a sobreviver por aparelhos? Será que conseguiriam sobreviver sem a aparelhagem toda que protege sua insignificante vida? Concluem que a vida voltara a ser fragilmente natural.