BARULHO.ORG EM QUE SITUAÇÃO, DEBORD!


barulho.org que situação debord! from Amadeu Zoe on Vimeo.

“Que situação hein, Debord?” é um festival em São Paulo e no Rio de Janeiro que combina mostra de filmes, debates e uma ação coletiva de encerramento no espaço público-urbano. O objetivo do evento é discutir o paradoxo que surge conforme os ativistas das décadas de 50 e 60 (os situacionistas frente à chamada Sociedade do Espetáculo) tornam-se mais uma moda consumida nos supermercados culturais dos principais centros urbanos.

Essa defasagem de propósitos revela o dilema com que se deparam as práticas críticas dedicadas ao desmonte da lógica do consumo, tendo em vista o lugar hegemônico que a industria do entretenimento ocupa hoje em dia. Vale observar, por outro lado, a relativa abertura para o uso desse espaço de maneira crítica, em fendas que podem ser ocupadas de maneira inteligente e autônoma.

Aproveitando essa pluralidade latente, a reflexão proposta pretende tornar explícitos os ecos dos Situacionistas na cultura contemporânea, por meio de uma reflexão crítica a partir da exibição dos filmes de Guy Debord, um dos nomes mais conhecidos do grupo. Serão realizados debates em que pesquisadores e realizadores reagem e ampliam as seguintes questões:

(a) o pensamento Situacionista, ao tornar-se item de consumo, produz um paradoxo, na medida em que desvia do pressuposto inicial de crítica à Sociedade do Espetáculo desenvolvido por Debord? Ou ele ocupa um espaço necessário de crítica ao funcionamento da Indústria do Entretenimento?

(b) como se dá e qual a importância da retomada de práticas Situacionistas no contexto atual, tanto na cultura digital quanto no urbanismo?

(c) de que forma os situacionistas se inserem num contexto de transgressões programáticas praticadas por grupos como o Fluxus, o Cobra e o Provos, entre outros? Qual a relação entre os situacionistas e o momento histórico em que atuaram de maneira mais intensa, depois das revoltas estudantis de maio de 68 na França?

Durante as semanas de exibição de filmes e debates, acontece a preparação para a ação coletiva, que parte da teoria da psicogeografia — conceito central do urbanismo expandido dos situacionistas, interessados em produzir acontecimentos para perturbar a ordem da cidade. Nessa ação, a psicogeografia será praticada por realizadores convidados e pelos participantes inscritos, resultando em uma intervenção com imagens em tempo real projetadas sobre a arquitetura do centro de São Paulo. É importante frisar como essa cartografia acontece em um espaço onde todos serão estimulados a atuar, abandonando o papel passivo de espectadores.

Ao aproximar teoria, reflexão e prática, combinando três ações distintas sobre um mesmo tema, “Que situação hein, Debord?” propõe um elo orgânico entre abordagens diferentes e complementares.

http://situation-indebord.wikispaces.com/

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