10 – NADA SE PARECE COMO ANTES

As luzes dos projetores apagaram-se e o céu clareou estampando as faces admiradas. Podiam enxergar todo o tipo de luminosidade existente na obscuridade que sempre os acompanhou. As constelações refletiam nos seres ainda abismados com as novas informações. Numa reação natural, João agarra-se a mão de Cristina apertando-a, querendo sentir a vibração que lhe tiraria a impressão de imaginário. Era real, o aperto foi retribuído. O planeta voltara a ser apenas um receptor de luzes, admirando uma infinidade de corpos brilhantes. Aos poucos as pessoas vão saindo do transe celeste e adentrando-se a uma espécie de êxtase individual que era comum a todos.

“E agora?” “Precisamos nos re-agrupar.” “Precisamos produzir.” “Precisamos nos alimentar.” “Precisamos reformular.” “Precisamos mudar.” Mudar. Essa sempre foi uma barreira mal vista dentro dos antigos conceitos individuais. A mudança nunca era vista como algo benéfico, significava uma subversão da ordem, uma re-estruturação de algo, uma negação à imposição. Mas agora, mudar era a única alternativa para sobreviver. A mudança teria que vir a qualquer preço, teria que alterar o significado da palavra no dicionário, mudança, agora, seria essencial. A palavra mudança gerou uma euforia inusitada nas pessoas, significava que não necessitava mais correr contra a correnteza, que não precisavam gastar todas as energias para enquadrar suas crenças numa ordem outrora confusa. “Pois é… Eu fiquei pensando nisso… A gente tá sempre se transformando… E é sempre uma crise… A gente tem todo direito de entrar nos abismos, às vezes é bom… Necessário… Mas o que move mesmo, o que faz a crise valer a pena é quando você muda essa freqüência e percebe a beleza da transformação, a violência e a sutileza disso tudo e pra onde isso pode te levar… É muito louco, é outro olhar. Como é difícil a gente encontrar esse olhar às vezes…”

Subitamente se entreolharam livres disso tudo, não eram mais vistos como escravos, todos poderiam ser quem bem entender.

“Nada se parece como antes, nem nunca se parecerá com nada. Bem vindos a 2012!”

PSICÓTICO

One Comment

  1. Reply
    Dani Julião August 18, 2009

    Boa reflexão.
    Lembrei-me de Pessoa…

    ” O meu olhar é nítido como um girassol.
    Tenho o costume de andar pelas estradas
    Olhando para a direita e para a esquerda,
    E, de vez em quando, olhando para trás…
    E o que vejo a cada momento
    É aquilo que nunca antes eu tinha visto
    E eu sei dar por isso muito bem…”

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